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21/01/12

Um sítio mágico


E ao regressar de mais uma acção de formação, houve tempo para um desvio até lá. Onde estava para ir há muito. Ao sítio onde adivinhava magia. E sim, ela lá estava. Logo à chegada, com o sol já a adormecer no horizonte. À entrada, na luz quente que prometia histórias e conforto. Lá dentro, em cada recanto, em cada pormenor, em cada ilustração, em cada móvel, em cada sorriso e em cada palavra. E eles lá estavam, em todos os sítios. Os livros. Essa magia única que apenas se encontra em pequenos tesouros, como cada um dos livros que o Bichinho de Conto nos oferece.
Um sítio mágico, sim. Que nos faz acreditar que as coisas mais loucas fazem todo o sentido. Como uma livraria numa antiga escola primária, num local perdido perto de Óbidos. Sim, é possível.

E muito em breve, na acção "Do medo construir escadas", no Sobral de Monte Agraço, haverá uma surpresa com a cumplicidade do Bichinho...
Até lá, espreitem o site e, se puderem, façam uma visita! Acreditem que vale a pena!

Bichinho de Conto

10/07/11

Mais um livro delicioso para os mais pequenos


O João tinha quatro anos e, tal como todas as crianças dessa idade, era muito curioso. O que mais gostava no mundo era de explorar, e quase todos os dias fazia uma nova descoberta.

É precisamente de uma dessas pequenas descobertas quotidianas que fala esta história saída da imaginação de Ramón Aragüés, que começa à hora do banho.

O pai esfregava-lhe as orelhas, os joelhos, os cotovelos e os pés. Para ajudar, o João esfregava-se com sabonete. De repente, o seu dedo afundou-se. Que teria acontecido? Tinha metido o dedo no umbigo! Assim, o nosso protagonista descobre que tem um buraco na barriga, mas a descoberta intriga-o tanto que, desde então está sempre a perguntar: Mas, porque é que eu tenho umbigo?

É que o João está a atravessar uma das etapas infantis mais divertidas: a dos porquês. Durante este período, os mais pequenos querem saber o porquê de tudo o que os rodeia e, tal como neste caso, acorrem àqueles que têm por perto: ao pai, à irmã mais velha, ao avô, à mãe…

Aproveitando-se da inocência do pequeno, cada um dos membros desta peculiar família vai inventando uma mentirinha acerca da origem do umbigo até que, finalmente, a mãe lhe revela a verdadeira razão da sua existência e, também, um dos grandes mistérios da vida.

Fonte: Editora OQO

13/06/11

Sugestão de Leitura


Mais uma sugestão de leitura para um tema que nem sempre é fácil abordar com os mais pequenos...

Assim se apresenta "O Que É Um Homem Sexual?" (pergunta de uma criança à sua professora, querendo ela dizer “homossexual”).

“Este livro é para ler nas entrelinhas, para oferecer as primeiras palavras a uma conversa, para descongelar o medo de falar disto e daquilo. É para ser lido em família, à lareira, no jardim, ao adormecer. Pelos maiores e pelos mais pequenos, é para brincar e aprender a ler outros livros, é uma pequena quantidade de matéria-prima para uma primeira conversa e para todas as que se seguirem, é uma agenda para fazer anotações.
Não é um manual mas pode estar sempre à mão, é para oferecer tempo, se ele for escasso para conversar."


Gostava que me dissesse
se, por acaso, tem mal
um homem ou um rapaz
ser “homem sexual”.

Resposta:

Uma pessoa qualquer,
sem saber como aconteceu,
ama muito uma pessoa
do mesmo sexo que o seu.


Se alguém se apaixona
por outra pessoa diferente
é heterossexual
e ama muito, igualmente.

Texto: Letra Pequena

19/05/11

Um livro a descobrir!


Num livro delicioso, Isabel Freire conta-nos as histórias secretas de 12 homens e mulheres que hoje têm entre 70 e 90 anos...

No meu tempo a noiva era uma coisa séria. Iam emocionadas. (…) Os pais choravam, e a noiva chorava também! (…) Não se sabia se iam para bem, se iam para mal. (…) Elas tinham de aguentar tudo porque o casamento era para a vida. Esperança, 90 anos

A mulher deveria ser perfeita. Uma dona de casa exemplar, sempre atenta ao marido e aos filhos, esmerada nas artes da cozinha e do bordado, com comportamento aprumado e decente. Nos anos 50, e sobre o olhar atento, conservador e católico de António de Oliveira Salazar, timoneiro de um Estado Novo repressor, o amor e o sexo eram temas tabus, a que se devia dar pouca importância. Prevalecia a moral e os bons costumes. Um mundo recheado de valores puritanos, de vexame, opressão, tirania e recalcamento, para todos os gostos e para ambos os sexos, mas sobretudo para o feminino. Durante esta década, os direitos das mulheres portuguesas foram abafados, circunscritos, diminuídos. Forçadas à submissão de género, à dependência económica e afectiva, bem como ao apagamento sexual.

Isabel Freire conta-nos como se namorava nos anos 50, do flirt ao beijo na boca, explica-nos que a «mão na mão» dava direito a uma multa no valor de 2$50, já a «mão naquilo» valia 15$ de coima, fala-nos da vida boémia dos bordéis de Lisboa, do carácter vicioso do sexo «bucal», das contraceptivas lavagens vaginais, dos partos em casa e dos abortos clandestinos, das expectativas e ansiedade dos noivos na noite de núpcias, das famílias felizes e da peste que era o divórcio.

Como viveram na intimidade os homens e as mulheres que são hoje pais, avós e bisavós de gerações com princípios tão distintos? Brincava-se muito com esta máxima: «Mão na mão. Mão na coisa. Coisa na mão. Coisa na coisa é que não.» Estávamos nos anos 50 e o grande interdito era realmente o corpo.

Para saber mais: Esfera dos Livros

18/05/11

Eu espero...


Uma extraordinária metáfora da vida dada por um fio que corre, passando de página para página (desde a folha de rosto até à página final preenchida com o fio apanhado em meada), e que arrasta acontecimentos marcantes que constroem um ser na sua plena dimensão humana. Vida feita de alegrias e tristezas, mas com a espera sempre como elemento recorrente. O livro, e em particular a capa, tem o formato de um sobrescrito com janela, de onde sai a imagem de uma criança com olhar expectante; a partir daqui os vários momentos representados articulam-se de forma solidária e mostram ao leitor que há sempre um amanhã e que vale a pena acreditar no futuro. O modo sóbrio como se representam as personagens e a profundidade da expressão do traço do ilustrador, reforçados pela omnipresença do fio vermelho da vida, tornam este livro um objecto de arte de grandíssima qualidade.


O livro "Eu espero…", de Davide Cali e Serge Bloch, através de pequenas metáforas faz-nos pensar sobre os grandes acontecimentos da vida. Uma sugestão para trabalhar este livro é, usando-o como modelo, pedir aos alunos para darem a conhecer as suas expectativas de vida. Aqui ficam  mais algumas sugestões de actividades, que podem ser adaptadas a cada ciclo.

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24/03/11

Dos segredos do coração...


Às vezes, contar uma história é a melhor forma de fazer pensar e falar sobre alguns dos temas mais difíceis. "Um Segredo do Bosque", da Editora OQO, é um excelente exemplo de como podemos, a partir de uma história aparentemente tão simples, reflectir as questões associadas à homossexualidade. É, acima de tudo, um livro que fala de afectos, de amor. Não só para os mais pequeninos, mas para nós, mais crescidos, também. Imperdível!

Desde que o conheceu, o Esquilo não conseguia tirá-lo da cabeça. Quando pensava nele, nublava-se-lhe a vista, a voz fugia, o estômago ficava como uma pedra… é que… o esquilo estava apaixonado! O seu segredo percorreu todos os cantos do bosque. Muitos opinavam que era uma loucura, mas quando chegou o Outono…

Javier Sobrino apresenta-nos uma adorável e assombrosa história de amor, onde as diferenças não constituem uma dificuldade para as relações. Utilizando os animais do bosque como recurso para comunicar com o jovem leitor, Um Segredo do Bosque utiliza uma linguagem universal, a dos afectos, para falar do amor aos mais pequenos e de como assumir os sentimentos.

Para saber mais: OQO Editora