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04/12/13

Essencial é o amor



Eu sei que ainda faltam 2 meses, com a passagem de ano pelo meio, mas a agenda começa a ficar preenchida e é preciso planear com antecedência!
Quem já me conhece, sabe que um dos temas que mais gosto de trabalhar é a relação entre as pessoas. Talvez por isso, gosto imenso da área da Educação Sexual, na qual tenho acumulado alguma experiência, seja através da formação de professores, seja do trabalho com pais e das conversas com crianças e jovens. Há muitos temas que podemos explorar, mas subjacente a todos há um que é urgente falar: o amor. "Love is the voice under all silences" (E. E. Cummings).
Se quiser que vá à sua escola conversar com os alunos sobre sexualidade e afetos, por ocasião do Dia dos Namorados, marque já a sua data para lugaraoafecto@sapo.pt

19/05/11

Um blog para viajar no tempo...


O blog "Amor e Sexualidade na Década de 50, em Portugal" acompanha um estudo de carácter jornalístico, realizado por Isabel Freire, sobre as representações do amor e da sexualidade, nos anos 50, no nosso país. Trata-se de uma investigação que foi publicada em livro (destinado ao público em geral), pela Editora Esfera dos Livros (citado no post anterior).

Neste espaço muito interessante podemos encontrar:

-Citações, notas, apontamentos sobre a época, na perspectiva analisada;

-Excertos de testemunhos de especialistas;

-Apontamentos biográficos de pessoas que na década em causa viveram a sua adolescência, início da idade adulta.

Um livro a descobrir!


Num livro delicioso, Isabel Freire conta-nos as histórias secretas de 12 homens e mulheres que hoje têm entre 70 e 90 anos...

No meu tempo a noiva era uma coisa séria. Iam emocionadas. (…) Os pais choravam, e a noiva chorava também! (…) Não se sabia se iam para bem, se iam para mal. (…) Elas tinham de aguentar tudo porque o casamento era para a vida. Esperança, 90 anos

A mulher deveria ser perfeita. Uma dona de casa exemplar, sempre atenta ao marido e aos filhos, esmerada nas artes da cozinha e do bordado, com comportamento aprumado e decente. Nos anos 50, e sobre o olhar atento, conservador e católico de António de Oliveira Salazar, timoneiro de um Estado Novo repressor, o amor e o sexo eram temas tabus, a que se devia dar pouca importância. Prevalecia a moral e os bons costumes. Um mundo recheado de valores puritanos, de vexame, opressão, tirania e recalcamento, para todos os gostos e para ambos os sexos, mas sobretudo para o feminino. Durante esta década, os direitos das mulheres portuguesas foram abafados, circunscritos, diminuídos. Forçadas à submissão de género, à dependência económica e afectiva, bem como ao apagamento sexual.

Isabel Freire conta-nos como se namorava nos anos 50, do flirt ao beijo na boca, explica-nos que a «mão na mão» dava direito a uma multa no valor de 2$50, já a «mão naquilo» valia 15$ de coima, fala-nos da vida boémia dos bordéis de Lisboa, do carácter vicioso do sexo «bucal», das contraceptivas lavagens vaginais, dos partos em casa e dos abortos clandestinos, das expectativas e ansiedade dos noivos na noite de núpcias, das famílias felizes e da peste que era o divórcio.

Como viveram na intimidade os homens e as mulheres que são hoje pais, avós e bisavós de gerações com princípios tão distintos? Brincava-se muito com esta máxima: «Mão na mão. Mão na coisa. Coisa na mão. Coisa na coisa é que não.» Estávamos nos anos 50 e o grande interdito era realmente o corpo.

Para saber mais: Esfera dos Livros

10/03/11

Por onde anda o amor na Educação Sexual?


Enquanto persistir uma visão que separa a natural ligação entre corpo e mente, quer dizer, enquanto se debaterem medidas de intervenção nas vivências da sexualidade de forma desintegrada do espaço afectivo, é impossível ir muito longe. Fica-se pela superficialidade da situação, fala-se do que é mecânico, esquecendo-se o mental, tocando por fora, omitindo o que vai por dentro. De facto, do que muitos desses adolescentes necessitam, é de alguém que os escute, que lhes fale ao mais particular de cada um, que os contenha e organize emocionalmente, que se ofereça como modelo de relação afectiva que assim, só assim, lhes toque no coração, lá onde moram os sentimentos, se elaboram os impulsos, se afirma a razão. E a isso chama-se amor.

Pedro Strecht, in "Vontade de Ser - Textos sobre Adolescência"